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Largo da Venda

O Largo da Venda ou Venda do Grave foi o nome dado a este local porque nele existiu um senhor cujo apelido era Grave. Tinha esse senhor uma lojinha que se chamava também Venda; iam então as pessoas comprar o que precisavam à Venda do Grave.
A nossa terra atravessada pela estrada principal, do outro lado ficava Moitas, havendo naquela zona muito arvoredo e matagal, onde sobressaiam em abundância os matos chamados Moitas. Juntando harmoniosamente os dois pólos, assim ficou construído o nome de Moitas Venda. No largo da capela em primeiro plano destacamos a Capela da nossa Senhora da Conceição, datada de 1798. Cheia de preciosa história de culto através dos tempos, ela sempre nos propõe a cada momento a sua grande nobreza e dignidade e sentimos por ela a maior estima e carinho. Foram ali incutidas na nossa gente muitas horas de catequese, todos os actos de culto que imprimiram os nossos sentimentos morais e religiosos mais dignos.
Tem nela sepultados muitos corpos que no final da vida desceram à terra antes de haver cemitério. No campanário o sino sempre tocou para as missas, repique de festas, casamentos, baptizados, funerais, e alertou para logos ou outras emergências do nosso povo que sempre se socorreu mutuamente.
Ao toque arrebatado do sino toda a população corria para o local do sinistro para ajudar atá à exaustão. O Largo da Venda foi palco de muitas festas através dos tempos. A quermesse e o bufete abrigados do sol com as ramagens de eucalipto salpicadas de balões e festão de papel, bem como todo o arraial e algumas ruas eram perfumadas com o desinfeccioso cheiro daquela árvore saudável.
Todo o ambiente convidava ao convívio são e comunicativo. Moitas Venda ria com o bater no caldeiro de lata amorcegado que rematava a melhor oferta pelas prendas. Relembramos a actuação da orquestra típica Escalabitana nos anos cinquenta. O rancho Tamar da Nazaré, o artista Artur Ribeiro com a canção das "Sete Saias", a Maria do Espírito Santo cantando "Saudade Vai-te Embora". Luís Piçarra com "a Carrinha Alentejana" e outros.
Ambiente Festivo

As cavalhadas mesmo ali no meio do largo foram sempre muito divertidas e participadas. Perdem-se na memória o sem número de tantas outras variedades englobadas nas nossas festas. O conteúdo da nossa feira de ano. cujo fundador foi Américo Silva ao lado de José Jesuíno e outros do ano de 1942 é um nunca mais acabar de recordações. Desde os rebanhos de gado que salpicavam de manchas escuras bem juntinhas, o Cabeço da Eira. deram grande rentabilidade naquela área de negócio, bem como os animais de raça suína.
As barracas de quinquilharias mantinham-se fiéis na sua presença, assim como louças, latarias, roupas e outros, destacando-se com grandes proporções a barraca do senhor Santos; este sentiu-se sempre cá em família, chegando a comprar casa de habitação onde vinha residir temporariamente. Os saborosos caldos e outros aperitivos desafiavam os paladares dos bons apreciadores gastronómicos. Chamávamos a barraca dos caldos. Envergava o boné de cozinheiro o Sr. João Batista que era seu proprietário. O condimento que mais funcionava além da boa carne, em relação ao sabor, eram as amêijoas para os caldos, estes viriam a levar vinho misturado na tigela e piri-piri a gosto. A morcela em si ou acompanhada do caldo era de crescer água na boca.
Continuando em ambiente de feira franca não podendo esquecer o carrossel, a barraca dos espelhos, a da mulher aranha, a barraca do presépio movimentado o avião da morte, a barraca da bruxa, e para o nosso enlevo a recordação dos retratos tirados á lá minute em frente ao passarinho que sempre dava sinal ao ver-nos na melhor posição. Ali no Largo da Venda funcionou o talho do senhor Policarpo Rosa a que chamamos também açougue, durante bastantes anos. Serviam também a comunidade no ramo da mercearia, o senhor Manuel Arsénio, sempre preocupado com a distribuição dos géneros alimentícios em relação às senhas. Estas eram umas regras impostas pelo governo durante a escassez da grande guerra. Todas as famílias só tinham direito aquela quantidade de géneros. Foi um período difícil que a nação atravessou. Também o senhor Manuel Regueirinha foi proprietário da sua loja que vários anos geriu. Houve também a taberna do senhor João Arsénio e o lugar de frutas e produtos hortícolas da senhora Miquelina.
Memórias do Largo da Venda

Com saudade relembramos todas as famílias que ali viveram e se deram bem umas com as outras, algumas mais desfavorecidas, e outras com melhor margem financeira contudo, a entreajuda sempre prevaleceu. Viveram ali dois moleiros, o Joaquim Soares e o Manuel Foito. Também o alfaiate António Sacramento Ferreira ali exerceu a sua profissão a acompanhar as parturientes a senhora Constância Mira, pessoa muito prestável nesta ajuda ao próximo, ali viveu também.
São gravações de infância, aqueles beijos que o Ti Beijudo nos queria dar quando éramos crianças. Só ao vê-lo de longe nos escondíamos sem demora sentindo um certo receio, mas as brincadeiras simples do senhor Joaquim da Hermínia nunca nos afectava, pois que fazia aquilo para nos ver correr à sua frente, homem simples que também viveu no Largo da Venda.
Ao contrário, naquele dia de sábado 15 de Fevereiro de 1941 em que foi fustigado pelo ciclone com o cenário desolador, em que as telhas voaram dos telhados, quase em geral, e se estilhaçaram no chão. Bem iluminado pelo sol ou sombrio pelo escuro do firmamento, o Largo da Venda foi e será sempre um lugar aprazível.
Com a recomposição que sempre mereceu, continuou sempre enfeitado pelas danças festivas e marchas carnavalescas e colorido com procissões, fogaças e anjinhos.
Texto e autoria: Natália Sacramento
Links
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- Recolha de informação publicada no fórum da comunidade retirada da Colina de Santa Marta; (publicação) da Junta de Freguesia