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Olímpio Capaz Gonçalves
Olímpio Capaz Gonçalves (1850 - 1926)

Olímpio Capaz Gonçalves nasceu a 6 de Maio de 1873, filho e herdeiro, com seu irmão José Capaz Gonçalves, de uma abastada família de lavradores. Muitos se lembrarão ainda da sua figura esbelta, elegante, do seu porte distinto. Advinha-lhe certamente essa distinção de uma educação cuidada que lhe permitia frequentar outras famílias afidalgadas da zona. Frequentou o colégio dos Jesuítas que se haviam refugiado na Serra de Santo António onde, depois dos estudos primários, se preparou "para fazer exame de admissão ao liceu". Durante três anos estudou num colégio de Santarém. Tornou-se um homem culto e deixou 3 livros manuscritos que a sua família conserva como verdadeiro tesouro.
Homem de coração ardente e aventureiro, viveu um grande amor descrito num desses livros. Noutro livro faz a "Descrição da viagem a Africa em 1912". Conta que por "vicissitudes da vida", que não especifica, partiu para "longínquas costas africanas" tendo saído de Moitas Venda "numa segunda-feira, 26 de Fevereiro de 1912, às 8 horas da noite. Foi na charrete do Joaquim Baptista, acompanhado por Policarpo Leal e J. Faustino", até ao comboio que o levou a Lisboa, onde chegou pelas 11 horas da noite.
Embarcou a 1 de Março e até Lourenço Marques, faz em pormenor a descrição do tempo de viagem, dos mares e das pessoas, e depois, de todas as diligências para encontrar em Moçambique a vida que mais lhe interessava. Por lá passou largos tempos numa vida de trabalho e aventura até regressar à sua terra natal. Deixou um livro de "versos populares" a que chamou "Aspirações da Alma", como recordação da sua juventude e que julgou "serem mais lindos e melhor para cantar ao fado da Mouraria e / ou do Hilário" para piano ou canto".
Poema
Amei e fui infeliz Jurei nunca mais amar Os teus olhos me fizeram Meu juramento quebrar Os beijos que tu me deste Sem a tua mãe saber Eram doces, muito doces Dá-me mais, se puder ser. Não há gosto sem desgosto Numa liberdade segura Nem amor que dê bom pago Só sendo algum, por ventura. E passo a vida tristonho A cantar por não saber Se a vida está só no sonho E a realidade em morrer.