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Minha Terra e Seu Passado

Fonte: moitasvenda.net
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Origem da Nossa Terra

Alcanena, no século XVIII, é um lugar da província da Beira Baixa, Patriarcado de Lisboa, arcediagado de Santarém; distante da capital dezoito léguas. Está situado num outeiro, e dela se descobrem, a distância de meia légua, os lugares de Monsanto e Louriceira; a igual distância a serra de Santa Marta.

Em 1758 Alcanena é um curato, desanexado da Matriz de S.Pedro da vila de Torres Novas, e o responsável eclesiástico - o Pároco — é intitulado de Cura, é apresentado para o cargo pelo prior de S.Pedro de Torres Novas, todos os anos.

Estatísticas dos Lugares


O cura de Alcanena recebe, para seu sustento, a quantia anual de duzentos mil réis. Alcanena pertence ao ducato de Aveiro, representado nesta altura pelo Marquês de Gouveia. Não tem autoridades judiciais (à excepção de um juiz de vintena) e depende das justiças de Torres Novas. Tem esta paróquia de Alcanena quatro lugares e seis casais sujeitos à sua jurisdição.

Povoado da Serra de Santa Marta

Povoado de Santa Marta

A cascalheira de Santa Marta era um lugar de difícil acesso, com carreiros íngremes, tortuosos e com muito mato.

Situado na base do Cabeço de Santa Marta, é um local aprazível, altivo e imponente, onde pessoas de tempos imemoriais implantaram o seu povoado.

Devido a efeitos sísmicos ou erosivos, o povoado foi extinto. Mas existia o lugar de Santa Marta com uma casa do ermitão onde viviam 6 pessoas maiores e 2 menores.

Aqui existe a Capela de Santa Marta.

Casal do Forno da Cal

Era um pequeno lugar, já extinto, com 3 casas onde viviam 20 pessoas — 12 maiores e oito menores. Muito conhecido por pessoas idosas, este casal em ruínas foi habitado por um homem chamado Manuel. Por se dedicar à criação de coelhos, para sua sobrevivência, era conhecido por Manuel dos Coelhos, ou simplesmente Manuel Coelho. Daqui descenderam os familiares com este apelido.

Diz-se que quando as invasões francesas invadiram Portugal(em 1807-1810) e também a nossa região, ainda lá existiam algumas pessoas. Quando souberam que as tropas se aproximavam, fugiram, esquecendo-se de levar consigo a menina que dormia no seu berço. Os soldados, ao entrarem na habitação, qual não foi o seu espanto ao verem uma menina linda, encantadora e sorridente! Alguns queriam agredi-la, mas o seu sorriso indefeso salvou-lhe e vida.

Moitas de Baixo

Moitas de Baixo possuía uma avultada casa agrícola da família Nazaré que dava ao lugar uma relativa importância. Situada num vale de grande beleza e serenidade, foram-se fixando ali algumas famílias, mas outras se foram retirando para construir a sua casa em lugar mais próximo das diversas estruturas. A fonte fornecia água, as terras davam pão e pasto. Hoje, com estradas mais acessíveis, permanece um lugar cheio de paz, onde os perfumes e os sons melodiosos da natureza dão ao lugar um especial encanto.

Casal do Arrife

Entre a Boca do Carreiro e os Carvalhos e mesmo à beirinha do Arrife, um local ermo mas encantador, estão situados os restos de um pequeno lugar conhecido pelo Casal do Arrife, hoje já extinto.

Duas casas feitas de pedra e terra amassada, com 13 habitantes — 8 maiores e 5 menores. Uma de aspecto caótico com as divisões irreconhecíveis, a outra permanece mais bem conservada, conhecendo-se alguns compartimentos, com as seguintes dimensões:

Uma casa de fora de 4,90 x 4,60 m e dois quartos de 3x 2,20 m, cujas paredes têm espessura de 70 centímetros. Não há indícios de reboco.


Era gente abastada que possuía um lagar de azeite do lado de baixo do Arrife, tinham muito gado e terrenos de semeadura com olival. Ao longo do tempo, apenas ficou um velho conhecido por "ti Manuel do Arrife, velhinho do Arrife". O "ti Manuel" tinha uma comadre em Casais Romeiros, localidade que dista cerca de 5 quilómetros do local onde vivia. Quando necessitava de comunicar com ela, gritava lá do alto e ela ouvia-o perfeitamente. Conta-se que o velhinho do Arrife vinha vender vinho a Santa Marta em Quinta Feira da Ascensão, num barril, e às costas. Se não o vendia, ficava furioso, pois tinha que carregar com ele outra vez para casa, o que era muito cansativo na descida de Santa Marta (nesse tempo pelo velho carreiro) com o vinho a chocalhar dentro do barril.

Criação da Freguesia de Moitas Venda

Do Casal do Arrife existem algumas colinas que demonstram terem vivido ali pessoas abastadas, pois encontram- se vestígios de habitações bem construídas e respectivos anexos para os animais, assim como de um lagar de azeite e largas terras de semeadura. No Forno da Cal foram-se construindo novas habitações, tendo ficado do local apenas a referência. E Santa Marta continua a ser o velho lugar de uma só habitação.


Eram portanto Moitas de Cima e Venda do Grave os lugares mais próximos e adequados para sede de nova freguesia. Na Venda do Grave, existia uma só habitação e com uma loja, como hoje se diz, mas que ao tempo se dizia "venda" e pertencia a um homem de nome Grave. Daí chamou-se àquele lugar Venda do Grave. E ainda hoje lhe chamamos Largo da Venda. Moitas de Cima era o lugar mais populoso, mais organizado, onde existem ainda as casas mais antigas. E com Moitas e Venda formaram a nova freguesia de Moitas Venda, pela Lei n.°1767 de 11 de Abril de 1925.


Criação da Freguesia de Moitas Venda Lei N° 1767 de 11 de Abril de 1925

Documento de registo da criação da freguesia Lei n° 1767 de 11/04/1925
Decreto lei 29 205 de 5/12/1938

Casais Robustos

Casais Robustos cresceu entre a Serra de Aire e Serra dos Candeeiros. De casario breve e aglomerado, parece manifestar a alma da sua gente. Como um presépio, subindo ligeiramente a encosta, dá-lhe o sol da manhã, iluminando logo cedo os campos cultivados. Gente laboriosa e amiga, dão as mãos entre si para fazer crescer a sua terra. O Grupo coral leva longe o seu nome e desde sempre alguém a cantou, contando a sua história.

Casais Robustos
Casais Robustos
 E uma aldeia pequenina
 O trabalho a domina 
 E que nunca lhe escasseia 
 As mulheres tecem num tear
 E à tarde vão ao felgar 
 Apanhar couves para a ceia
 
 Tem bom figo de mato-gordo 
 Cada um parece um tordo 
 São figos de três ao prato 
 Tem um Chico mentiroso 
 E para vinho mentiroso 
 Também tem o S.Torcato
 
 Olha as cerejas da 
 Costa Pois toda a gente gosta 
 Dizem os homens justos 
 E uma fruta delicada 
 Aqui bem perto é criada 
 Ali nos Casais Robustos

Actualmente Casais Robustos possui uma unidade industrial de mármores de grande dimensão. O comércio local basta às necessidades imediatas. E uma comunidade unida e progressista. Deslocam-se para as mais diferentes áreas profissionais, mas regressam à sua terra onde convivem de perto entre si ou nas várias festas ao longo do ano A evolução de Moitas Venda e Casais Robustos.

A Evolução de Moitas Venda e Casais Robustos

Quando, no ano de 1925, foi criada a freguesia, já havia alguns lagares de moer a azeitona e outros de fabricar cera de abelhas. Apareceram as primeiras bicicletas a pedais, pertencentes a Joaquim Baptista e João Reis, os primeiros breques, sendo de Joaquim Baptista e Celestino dos Anjos; nos anos trinta, o primeiro gramofone e o primeiro estabelecimento de café, sendo seu dono o sr. Joaquim Valente.


Os primeiros cavalos foram pertença de José Capaz Gonçalves e Olímpio C. Gonçalves; da primeira fábrica de curtimenta de peles, foi seu dono Sr. João da Silva. As primeiras charretes adquiridas pelos Senhores Constantino Maximiano, João Picado, João das Dores e outro, eram admiradas por todos.. Nos anos quarenta apareceu o primeiro automóvel, um "Chevrolet" de rodas com raios de madeira, adquirido pelo Sr. José Capaz Gonçalves. Nos anos cinquenta foi criada a primeira fábrica de malhas. Houve um grande progresso, não só no já existente, como em novas unidades fabris, comércio, oficinas de mármores, mobílias, uma grande variedade de motorizadas e automóveis.

Organização Administrativa

Foi, portanto, num contexto de reorganização territorial que surgiu a freguesia de Moitas Venda. A Monarquia tinha dado lugar à República e todas as mudanças políticas geram tempos conturbados. É difícil acertar o passo. É preciso coragem, determinação, para encontrar caminhos de governação que agradem a todos. E essa coragem, essa determinação, encontraram-na um grupo de homens voluntários que formaram a "Comissão Administrativa da Junta de Freguesia" em 04 de Fevereiro de 1926, constituída deste modo:



As vias de comunicação desenvolveram-se, veio o telégrafo, o telefone, a

escola... e o progresso sentiu-se pela coragem desses homens e das diversas equipas que se seguiram:



Para substitutos:
















  • Durante o mandato, o Secretário e Tesoureiro foram substituídos por:


A organização administrativa a partir de 2005 encontra-se aqui em Junta de freguesia

Brasão, Bandeira e Selo

Brasão de Moitas Venda
Brasão de Moitas Venda em pedra, localizado junto à fonte do Largo da Venda - Fotografia: José Maximiano

"Maria Judite Jorge Sacramento Reis Carvalho, presidente da junta de freguesia de Moitas Venda, do município de Alcanena:

Torna pública a ordenação heráldica do brasão, bandeira e selo da freguesia de Moitas Venda, do município de Alcanena, tendo em conta o parecer emitido em 12 de Agosto de 2002, pela Comissão Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses. E que foi estabelecido, nos termos da alínea q) do n.° 2 do artigo 17.° do Decreto-Lei n.° 169/99, de 18 de Setembro, sob proposta desta junta de freguesia, em sessão

da Assembleia de Freguesia de 20 de Setembro de 2002:

Brasão — escudo de verde, dois ramos de oliveira de prata, como os pés passados em aspa, frutados e atados de ouro, flanqueando coroa mariana de ouro; movente da ponta, um monte de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listei branco, com a legenda a negro: "MOITAS VENDA";


Bandeira — branca. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro; Selo — nos termos da lei, com a legenda: "junta de freguesia de Moitas VendaAlcanena"

30 de Setembro de 2002. — A Presidente da Junta, Maria Judite Jorge Sacramento Reis Carvalho.'

Publicado no artigo n.° 246, de 24 de Outubro de 2002, no Diário da República — III Série

Hino da Freguesia de Moitas Venda

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 Duas gentes, dois campanários 
 Que o sol beija em cada manhã 
 Onde nos ecoa o amor fraterno 
 Brindados duma alegria sã.
 
 Suave harmonia numa beleza serrana 
 Donde muito encanto advém 
 Pois a Virgem Nossa Senhora E a nossa. 
 Padroeira e Mãe.
 
 Farol do horizonte nas auroras singelas 
 Encanto de suas almas fraternas 
 Herança dos que lutaram nesta terra.
 
 És a força e a musa que inspira 
 Sonhadores, poetas e doutores 
 Os filhos destas abas da Serra.
 
 A alma deste povo sem idade 
 De valores e moral vincada 
 Trabalha, ama, luta, sente saudade D
 uma memória rica passada.
 
 Dos moinhos, os búzios de outrora 
 O murmúrio das fontes continua 
 Na noite haverá sempre a claridade 
 Do cruzeiro enamorado pela lua.
 
 Santa Marta, nosso orgulho e protecção 
 P'las flores e a giesta adornada 
 És símbolo de paz e união.
 
 Pois Moitas Venda quando te levantas 
 Na plenitude desta harmonia 
 Toda a Terra canta esta canção.


Letra:

Natália Caetano Sacramento

Música:

Magda Martins de Carvalho e Alexandre Dias de Carvalho

Editor

Cmsv