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Maria da Silva Coelho

Maria da Silva Coelho, filha de João da Silva, nasceu em 1877 no lugar de Moitas de Cima, onde foi criada sem a "mama da mãe".
O pai comprou uma cabra de boa qualidade para a amamentar. Mamava directamente da cabra, que berrava quando a ouvia chorar e não se calava enquanto a menina não ia mamar. Tornou-se uma linda menina. As irmãs mais velhas estudavam num colégio no Porto onde tinham uma tia freira e Maria foi também para lá, onde aprendeu a ler e escrever. O pai ia visitá-las no seu cavalo. Quando Maria via o pai, chorava tanto que ele a trouxe para sua companhia.
Passou a acompanhar o pai pelos campos que possuíam em Casais Robustos, terrenos esses que pegavam com os de Policarpo Ferreira, também de Moitas Venda. Os jovens passaram a ter entre si olhares enternecidos. Ao aperceber- se disso, o pai voltou-se para ele e disse-lhe:
"Queres a minha Maria, não é?", Então o que se há-de cozer, assa- se!"
E assim os casou rapidamente.
Fizeram a sua casa em Casais Robustos. Foram felizes com os seus quatro filhos, mas essa felicidade foi interrompida pela morte do marido, quando a filha mais velha tinha seis anos e a mais nova dois meses. Maria teve de trabalhar no duro, criando os seus filhos e os irmãos mais novos, da idade dos filhos. Era cozinheira nos casamentos e baptizados por todas estas aldeias. Fazia costura. E criou em sua casa uma "escola". Apareceram alunos de todo o concelho, que lhe pagavam com coisas de casa e assim matava a fome aos filhos, aos irmãos e até aos vizinhos.
Na aldeia de Casais Robustos, substituía o padre, rezando e fazendo rezar todos à sua volta. Aos serões lia e explicava a Bíblia. Recebeu das mãos do patriarca a medalha de honra comemorativa dos seus cinquenta anos de catequista.
Era conselheira de toda a aldeia, todos desabafavam com ela, mas daquele coração bondoso, nada se sabia. Foi boa vizinha, boa mãe e doce avó. Pequena em estatura, mas de grande sabedoria, grande fé em Deus. Morreu com dolorosa doença. Mas grande resignação e com os olhos no seu Deus.