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José Jorge dos Santos
José Jorge dos Santos (1869 - 1936)

José Jorge dos Santos, nascido em Fevereiro de 1869, no lugar da Gouxaria, Concelho de Alcanena, casou na igreja de Alcanena, no ano de 1895, com Maria Antunes, de Moitas Venda. Deste matrimónio nasceram quatro rapazes; José Jorge, falecido aos 2 anos, Joaquim Jorge, José Jorge e João Jorge e três raparigas; Hermínia Jorge, Maria Jorge e Gertrudes Jorge.
Todos criou com muito amor e carinho, sendo um casal feliz. O José Jorge dos Santos faleceu em Março de 1936, com 67 anos de idade. Desde muito novo se entregou à indústria de curtumes, de que resultou ser um bom profissional e mestre da segunda fábrica de curtumes da nossa freguesia, que pertenceu a José Capaz Gonçalves, situada no Vale Baralha.
No ano de 1920, na sua propriedade situada na Machuqueira, construiu uma pequena fábrica de curtumes.
Quando da sua construção, uma das paredes ficou bastante curvada, para não arrancar uma oliveira ali existente; a oliveira dava muito aceite e naquele tempo o azeite era a melhor fonte de riqueza agrícola da região. O mais engraçado é que, depois da fabriqueta construída, a oliveira secou e a mesma ficou torta durante muitos anos. Era seu desejo criar uma vida digna aos seus filhos, ensinando-os a trabalhar e a comercializar. O seu padrinho de casamento, senhor José Capaz Gonçalves, deu-lhe uma ajuda, dando-lhe crédito num armazém de venda de couros, do senhor Lino Teixeira de Carvalho, em Lisboa, onde comprava os couros que necessitava. Recebia a mercadoria dias depois, assim como os documentos que depois de assinados eram devolvidos aos escritórios, em Lisboa.
Um dia, numa visita ao escritório do senhor Lino Teixeira de Carvalho, foi preciso assinar uns documentos, e qual não foi a admiração do chefe de escritório quando o senhor José Jorge disse que não sabia ler nem escrever (os documentos eram assinados pelo seu filho Joaquim).
O chefe, conhecendo bem as gentes de Alcanena, e sem hesitar, deu-lhe um papel grande sem linhas e um lápis, ensinando-o nesse mesmo dia a fazer o seu nome. Um outro episódio sucedeu no dia do seu casamento.
Como o noivo era natural de Gouxaria, foi dali que partiu com os seus convidados para a casa da noiva, em Moitas Venda.
Daí, os futuros noivos e seus acompanhantes montados em burros seguiram para Alcanena, onde casaram na igreja matriz.
Já com a festa a dar os primeiros passos, iam palmilhando os cerca de quatro quilómetros que dista Moitas Venda — Alcanena. Mas percorridos um a dois quilómetros na zona que ainda hoje é conhecida por "Barrocas do Vale da Vila", um dos convidados disse a José Jorge:
"O José, o que é que fizeste à noiva, que ela vem a chorar?"
Ele fingiu não ouvir. Mas, mais adiante, outra acompanhante repetiu a mesma frase ao noivo. Foi então que ele vira o seu burro para trás, vem à cauda do pelotão onde seguia a sua noiva e disse-lhe:
"Ouve lá futura esposa, vens aí a chorar e quase a soluçar, o que é que tu tens?". "Se vais arrependida, volta-se para trás, vamos comer a boda e tu ficas na tua casa e eu vou p'ra minha."
A noiva, como já não tinha pai nem mãe e vivia só com o irmão Joaquim Antunes conhecido por Joaquim Gineto, ia muito comovida e por isso as lágrimas lhe corriam nas faces, mas ouvindo estas palavras do seu noivo e que poderiam ser o fim de um sonho que estava a realizar-se, teve esta frase simples e humilde:
"Não, eu não vou arrependida, vou sim a chorar com pena do meu irmão que fica sozinho".
Tudo acabou em bem.