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João da Silva

Fonte: moitasvenda.net
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João da Silva (1850 - 1926)

João da Silva

João de Silva nasceu em 1850 no lugar de Mata, Torres Novas, onde frequentou a escola.

Filho de família católica e de boa linhagem, frequentou os seminários de Coimbra, Santarém e Leiria. Apaixonou-se por uma jovem da zona de Leiria e de noite saía do convento para visitá-la. Uma vez, ao regressar ao convento, encontrou a porta fechada e também tinha perdido os sapatos. Desolado, sentido quanto tudo isto contrariava os seus pais, então residentes em Casais Robustos, não tem outro remédio senão regressar a casa descalço. Mas seu pai não gostou e João, cansado e ferido da caminhada, teve de dormir num dos palheiros.A sua família da mata, gente abastada, recolheu-o e com ela ficou durante sete anos.


Regressa então ao lar de seus pais, donos de uma grande casa agrícola em Casais Robustos. Tinha cerca de 30 anos, estava solteiro, abastado de bens e de criados. Grande Homem, rico, estudioso, trabalhador, agricultor, industrial, comerciante e pai dos pobres. Construiu a primeira fábrica de curtumes de sociedade com José Capaz Gonçalves, sendo mestre da fábrica José dos Santos Jorge. Construiu também dois lagares de cozer cera no lugar da Fonte. Geria a sua abastada casa agrícola, chegando a produzir 100 meduras de azeite por ano. Mandou edificar na freguesia as fontes de Moitas de Baixo e de Venda do Grave; os cemitérios de Moitas e Casais, reconstruiu as capelas de Casais, Santa Marta e Largo da Venda, abriu arruamentos. Dava terrenos para construção de habitação aos que mais precisavam e ajudou sempre os mais necessitados. E, como homem ligado ao bem e à cultura, fundou a primeira escola de ensino primário e cedeu as respectivas instalações numa das suas casas em Moitas, mais tarde pertencente a João das Dores. Foi membro dos jurados do tribunal em Torres Novas, Ourém e Tomar e a sua palavra pesava nas audiências.


Escreveu um livro auto biográfico que terá sido lido e apreciado por figuras destacadas da época, mas que, entretanto se perdeu. Contudo, este homem inteligente e generoso teve um percurso familiar atribulado. Casou com uma senhora estimada e culta, vinte anos mais velha, de quem não teve filhos. De um outro relacionamento com uma das suas criadas, nasceram as suas cinco filhas que foram educadas num colégio do Porto. Mais tarde, e de outro relacionamento, nasceram vários filhos, já numa fase decadente da sua vida. Abandonado pela mãe das crianças, tratou delas até à hora da morte. Pobre e triste, na manhã de 17 de Dezembro de 1926, morreu subitamente enquanto preparava a refeição do café dos mais pequenos. Foi sepultado em Casais Robustos por sua expressa vontade.

Edição

--Cmsv 22h21min de 4 de dezembro de 2009 (GMT)