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Francisco Duarte Ferreira

Este homem, natural de Moitas Venda, era muito conhecido pelos homens de negócio do concelho pela sua maneira de ser. Fazia rir mesmo quando falava sério. Como era hábito, um dia foi a Lisboa para comprar peles no matadouro. Chegada a hora do almoço foi a uma tasca para almoçar, sentou-se numa mesa e começou a comer uns pãezinhos que encontrou num cesto. O pão era macio e bom, e não tardou em perguntar à sopeira:
E você quem faz estes pãezinhos aqui na sua casa? A senhora respondeu que sim. O minha senhora, pãezinhos destes, vá trazendo.
O caso foi tão engraçado que Joaquim Baptista, ao saber do facto, dirigiu-se a Francisco Duarte Ferreira e disse-lhe.
"Então Francisco, tu és dos tais que vais para Lisboa, pedir à senhora pãezinhos destes às dúzias? Parece que ias esganado com fome!..."
"O Chequim" eu não disse pãezinhos destes às dúzias, mas sim, pãezinhos destes vá trazendo."
Um dia, andava Francisco Duarte Ferreira a trabalhar na sua fábrica do Vale Pardinho — Barrocas, chega um fiscal do horário de trabalho e pergunta-lhe:
Qual é o seu horário de trabalho?
Olhe, nasce acolá (apontando o nascente) e põe-se acolá (apontando o poente).
Como se chama?
Francisco.
Só Francisco?
O homem ponha aí Francisco até ver.
Logo o fiscal mencionou:
Francisco Antever... E um nome esquisito!
Não, não! Eu chamo-me Francisco Duarte Ferreira.
Com aquela situação engraçada o fiscal acabou por se ir embora.
Francisco Duarte Ferreira lamentava-se muito com o comportamento dos filhos, diziam os seus amigos que era melhor que um teatro. Dizia assim:
"O rapazes, ninguém tem uns filhos mais ruins que os meus! Esta noite andei todo o serão a tapar o meu portão: eu fechava-o, ele abria-se... eu fechava-o, ele abria-se..."
Mas o pior é que eu tinha lá uma galinha com pintos, vai o "mê Manei", põe um pé em cima de um pinto, vai a levantar o outro pé, dois pintos mortos?..."
O senhor Francisco Duarte Ferreira, a caminho da sua fábrica, passava muitas vezes por Moitas de Baixo à porta do "Ti" Joaquim Jorge, que tinha muitos cães. Um dia ia a passar (mas já trazia uma mão cheia de pedras) e os cães começaram a ladrar e a correr para ele. Diz-lhe o senhor Joaquim Jorge:
"O Francisco, se os cães te morderem, chega-lhes!".
Responde o Francisco:
"Ó Chequim", eu chego-lhes mas é já, porque depois de eles me morderem não vale a pena bater-lhes! E antes é que é dar-lhes".
Esta frase: "E antes é que é dar-lhes" ficou muito popular no povo desta terra.
Algumas vezes em conversa com os seus amigos, à porta do Júlio (taberna muito antiga) ele dizia:
"O rapazes, a falta de dinheiro que há em Moitas Venda, nem três Largo da Venda (onde está situada a Capela da nossa Senhora da Conceição ) cheios de coruto, de notas de conto, chegavam para acudir às pessoas com dificuldades desta terra!..."