Para informação sobre a rede wireless; visite https://wirelesspt.net/wiki
Entrevista com o Presidente da Comissão Pró-Obras em 1985
A entrevista em baixo publicada dá a conhecer como nasceu e se desenvolveu a construção do salão polivalente de Moitas Venda
Foram seleccionadas entre muitas perguntas algumas mais importantes que certamente algo de interesse trouxeram a população.
O que é que se passou para o Sr. Reis ser Vise Presidente da Casa do Povo de Alcanena?
Após o 25 de Abril estava num café da nossa terra, jogando as damas com um outro colega, e junto de mim chegou o então presidente da Junta do Freguesia de Moitas Venda, o Sr. António dos Reis Maximiano que me convidou a acompanha-lo fazendo até alguma insistência para participar numa reunião no Salão Paroquial de Moitas Venda, presidida por um alferes o dois soldados do exército português, assim como também pela Senhora Bendita chefe dos serviços da Casa do Povo de Alcanena, e com a presença de muitos populares, vindos quase todos de outras terras, com o fim de realizar uma elocução para os futuros corpos gerentes da referida C. P. A., na qual Moitas Venda está integrada.
Ao chegar ao local verifiquei que a eleição estava prestes a ser feita, para a qual só poderiam ser votados elementos presentes. Como da nossa freguesia poucos habitantes se encontravam sendo a maior parte oriundos de outras terras, pedi a palavra ao Sr. Alferes que presidia a mesa sendo-me concedida. Manifestei a minha expressão que era de lamentar fazer-se uma eleição para se eleger um representante dela para a Direcção da C. P. A., sendo a mesma assembleia pouco representada por residentes desta terra e inclusivamente do lugar de Casais Robustos pertencente a esta freguesia e já com bastante população e nem sequer uma única pessoas se encontrava nos presentes.
Foi assim que a direcção da mesa deliberou nova reunião para a próxima quinzena, no mesmo local e à mesma hora a qual foi bastante participada com residentes de Moitas Venda bem como de Casais Robustos. tendo-se realizado a eleição democrática em que entro muitos outros nomes, apareceu o meu nome com maioria de votos, tendo ocupado o lugar de secretário na direcção que foi composta a seguir na sede da casa do povo de Alcanena. Ao longo de dez anos tenho desempenhado as minhas funções com muito brio e assiduidade ocupando hoje o lugar de vice presidente.
Senhor vice presidente como nasceu a ideia de construir uma tão valiosa obra?
Numa das reuniões de direcção, pedi à mesa que me fosse informado quais as verbas despendidas pela sede da C. P. A. desde o seu início à freguesia de Moitas Venda. Passado algum tempo foi-me informado que na acta apenas figurava uma verba de 27550 (escudos) que tinha sido despendida para a compra de uma lâmpada. Em virtude de ao longo de alguns anos a freguesia que eu representava estar esquecida não pelas direcções cessantes, mas talvez sim por falta de iniciativa de homens da nossa freguesia, tão carenciada como estava de melhoramentos, apresentei na mesma reunião um pedido para a realização de um projecto que me pareceu ser bastante válido) para todos os vindouros, e foi assim que nasceu a ideia do pavilhão que está em construção.
Pergunto ao Sr. qual o motivo porque nesta obra figura também a Junta de Freguesia?
Sendo a Junta de Freguesia o órgão máximo que rege todo o desenvolvimento relacionado com o bom estar da sua população e composta pelos elementos mais válidos que o povo escolheu. entendi por bem que ela fizesse parte desta obra tendo sido também o convite feito ás associações na altura existentes, para um melhor aproveitamento das verbas disponíveis, e um melhor convívio entre um povo bastante trabalhador e merecedor desta obra e não só foi o convite feito às associações existentes no lugar de Casais Robustos pelo motivo dos seus habitantes terem já em construção o seu próprio pavilhão que bem o merecem e que bastante os admiro pela sua de dedicação.
Como tem conseguido angariar fundos para esta obra?
As verbas angariadas pela comissão tem sido através da Casa do Povo de Alcanena, da Junta Central das Casas do Povo de Lisboa numa festa convivo feita pela nossa população, pela Junta de Freguesia, por diversas comissões de festas em divertimentos feitos no pavilhão em construção, por dádivas de conterrâneos residentes e ausentes, não esquecendo aqui os nossos emigrantes e por amigos da nossa comunidade. Apraz-nos aqui também salientar o cessante presidente da Junta de Freguesia, o Sr. Mariano Alves Calado, que durante o seu mandato muito contribuiu para o começo desta obra.
Sr. Presidente da Comissão Angariadora de fundos. mediante estes factos apontados tem tido sempre verbas disponíveis para fazer face às despesas da referida obra?
Sim.Temos tido sempre verbas suficientes para fazer face à sua construção.
Então porque é que a obra esteve parada um ano?
Não por falta de verbas. mas sim por condicionantes que nos ovaram a reflectir qual o maneira mais indicada para a sua continuação.
Pode-nos indicar quais as causas da sua paragem?
a) A primeira causa está baseada no responsável pelos trabalhos do construção, que devido a compromissos assumidos por ele com outras obras, não lhe foi possível, tendo suspendido temporariamente os trabalhos.
b) A médio prazo tivemos conhecimento que tarde ou cedo iria ser extinta a Junta Central das Casas do Povo do Lisboa, onde a nossa está integrada, o que é hoje uma realidade a sua extinção, faltando só apenas ser descrita no diário do governo e sendo integrada nos serviços locais. Neste contexto não sabíamos qual o futuro da obra em construção.
c) Por algumas exigências da Junta de Freguesia na realização dum documento em ordem à deliberação da sua parte pretendida que em comum acordo entendeu por bem possuir.
Sr. Presidente pelo que julgo, o começo desta casa já o envolve a si e à comissão há mais de 3 anos e como está ainda muito atrasada, ainda tem coragem para continuar com a sue realização?
Sim. Quero lembrar aqui que há diversos factores que condicionam a nossa continuação e como vi uma obra desta envergadura satura os que nela trabalham e até aqueles que vêm trabalhar. Foi também bastante demorado a realização do seu projecto e a sua aprovação pelas entidades nela envolvidas e assim como o cumprimento das leis do nosso país. Esta comissão vendo a construção de obras do mesmo género nas terras vizinhas. aprendeu a seguir caminhos um pouco mais demorados mas mais reais para a aquisição de verbas que permitem a construção deste pavilhão onde engloba:
- Serviços Médico Sociais
- Serviços Administrativos da Junta de Freguesia, de Casa do Povo.
- Serviços Desportivos e Culturais.
Ainda uma outra pergunta: Quanto ao local da construção da casa. não ficaria esta obra mais bem situada num outro local mais central?
Sim, nós e a comissão da obra também notamos que de facto ficaria melhor mais no centro da terra, mas como todos sabem o terreno para ela não foi fácil de encontrar à medida dos nossos desejos, quando pensámos na construção da casa tivemos em conta o harmonia e não prejudicar ninguém. Para isso contactámos os donos de locais que nos pareciam mais indicados para a sua construção, e em 3 locais que nos pareceram mais próprios e que os seus donos estavam de acordo em vender, e o que nos pareceu mais indicado.
Fonte informativa
Este artigo foi recolhido de uma das publicações conhecida como jornal O Moitense edição de Agosto de 1985.