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Costumes e Memórias I

Fonte: moitasvenda.net
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As Nossas Fontes e Lagoas

Tal como a lagoa de Casais Robustos e a do sobreiro, onde as moças iam lavar, a fonte de Moitas de Baixo e de Santa Marta já ficam para a memória dos tempos. Caíram em desuso, porque a vida se modificou com o fornecimento de água da rede pública, favorecendo o uso das máquinas de lavar. Temos que admitir que para os mais conservadores aquelas imagens das nossas fontes nunca esquecem. Ficaram associadas a este povo que se dignou coordenar sempre bem o trabalho e o lazer. São pois as lembranças de todos os momentos ali passados que nos ajudaram a aliviar o stress à volta dos nossos tanques:

 Havia alegre ambiente 
 Daquelas mais joviais 
 A conversa era prudente 
 Para não falar demais
 
 "com tom humorístico podíamos considerar: 
 "Semanário, Diário ou jornal da boa fé," 
 "Falava sempre na vida do Zé!..." 
 
 Quem casava ou namorava
 Quem morria ou quem nascia
 Quem viajava
 Ou algum fato estreava
 Tudo ali se dizia
 Com certa alegria;
 Coscuvilhavam, gracejavam,
 Mais ou menos com cuidado
 Segredava-se ao ouvido e entregava-se o recado
 Ali todos bem defronte
 Era assim o jornal da Fonte.

A Fonte Mijacão

Situa-se nas Barrocas na área do Vale Parcelinho. Era uma água leve, boa e muito apreciada por toda a gente que a consumia. Um fiozinho de água a correr, por uma bica que alguém improvisou. Talvez por demorar muito a encher a infusa de barro, alguém a baptizou com este nome, por achá-la semelhante ao cão a "mijar". Era de difícil acesso. Actualmente, embora a fonte continue a correr água, o sítio não é aprazível devido à existência de lixo, mau cheiro e uma fábrica de curtumes nas proximidades.

Fonte de Moitas de Baixo

 De noite e de dia sempre a brotar 
 Muito de mansinho vás sempre correndo 
 Matas a sede a quem vai a passar 
 E ouves soluços dos que caminham gemendo.
 
 Mas há uma coisa que muitas não sabem 
 É o exemplo que dás, e a graça que tem 
 Pelo segredo que guardas quando ouves a outrem 
 Entreter-se a falar mal em vez de dizer bem.
 
 Em noites de Verão 
 Soturnando com o calor 
 Inspiras os jovens 
 Em poemas de amor.
 -
 Inesgotável essa riqueza 
 Oue dia a dia brota do chão 
 E igual ás graças que vêm do céu 
 Para os pecadores darem seu perdão.

A Fonte de Santa Marta

Antiga fonte de Santa Marta
 A fonte da nossa terra 
 Nasce na penha da Serra 
 Corre sempre e não se farta 
 Cheia de encanto e beleza 
 E filha da natureza 
 A fonte de Santa Marta
 
 Em noites de S. João  
 Onde as moças todas vão 
 Com sua bilha enfeitada 
 Vão levar a sua trança 
 Cheias de fé e de esperança  
 Naquela água perfumada
 
 As vezes de madrugada 
 Caminhando apressadas 
 Naquelas noites de Verão 
 E julgando que é manhã 
 Sabe Deus onde ela vem 
 Ouvia-se esta canção:
 
 O Maria, tu não vais de noite à fonte 
 Oh! Vai comigo não vai sozinha 
 Podes cair antes de chegar ao monte 
 Vê se não quebras a cantarinha

Foi cantado pela Lucinda, filha da Senhora Bibiana, em 1948 num teatro que levou à cena "As chias causas" sob a inspiração de Aníbal Carreira Chavinha.

Vídeo Fonte de Santa Marta em Moitas Venda (Fevereiro 2013) por cmsv

A Roupa Também se Lavou no Rio Alviela e no Almonda

Pintura: Nascente do Alviela

Bem junto à nascente do Rio Almonda, no açude da moagem de farinha do "Trafulha", era local onde muita roupa se lavou de pessoas das terras circunvizinhas, incluindo a nossa. Ao longo do rio, encontravam-se outros lavadouros, tal como o do Casal Feijão, com uma azenha, onde trabalhava o Ti João Adriano das Moitas de Baixo e ainda no açude perto da Zibreira, junto da moagem de Farinha dos Paulinos. Era um dia de festa, de alegria. Um dia cheio de pequenos prazeres, apesar de grande azáfama. Ia-se de burro ou de carroça. Levava-se o almoço. Chapinhava-se na água fresca. Badam-se as mantas no meio do rio e, de vez em quando... lá saltava uma enguia, que alterava o som da conversa para gritinhos assustados que zangavam e provocavam a chacota de outros. E ao fim do dia, cansados mas felizes pela alteração da rotina na mudança de ambiente, regressava-se a casa para uma noite bem dormida.

Moinhos da Minha Infância

Integrados na maravilhosa paisagem, eram estes os moinhos da nossa infância: Um no sítio do Castelo, de Joaquim Gonçalves; Dois no Chão Frio, respectivamente de Manuel Foito e de Joaquim Soares; Um na Serra da Cabeça, de José Dias

(estes quatro situados na freguesia de Moitas VendaAlcanena).

Um na encosta de Serra de Aire, de Francisco Gonçalves "Abadio" (Vale da Serra).


O de Joaquim Gonçalves foi mandado construir por seu pai, João Gonçalves, natural de Moitas Venda, há cerca de 120 anos. Quando se lá ia levar grão para moer ou buscar farinha em taleigos (sacos ou bolsas), encontrava-se quase sempre muito entretido em vários trabalhos: a picar as mós (jazente e movente); a lavar grão, procurando bem servir os seus fregueses; a enrolar ou desenrolar as velas, conforme a direcção ou intensidade do vento. E mostrava sempre a maior pachorra e atenção quando se lhe pedia para explicar como tudo aquilo funcionava... mas também lá se chegava às vezes e estava arreliado, quando os rapazes cá do lugar aproveitavam a sua ausência para lhe quebrar os búzios (de barro), que ele com tanta paciência amarrava aos braços do moinho, em posições sábias e convenientes. Deles saía uma música monótona e dolente, mas enternecedora! Com o desaparecimento do moleiro, aquela melodia lá do alto do Castelo, jamais se fez ouvir!...

Moinho Antigo que se encontra por detrás do cemitério - Hoje em dia restaurado - Foto fornecida por José Maximiano

O moinho de Manuel Foito, natural de Giesteira, nas proximidades de Fátima, e 1.descendente de uma família de moleiros, veio para aqui trabalhar por conta do Ti João Gonçalves, onde terá permanecido alguns anos. Resolvendo casar, compra o moinho, situado no Alto do Moinho, mesmo nos confrontes das freguesias de Moitas Venda e de Minde, a um tal Martins Salgado, ascendente de uma grande família de Moitas Venda e Casais Robustos; estabeleceu-se por conta própria e logo transfere o recheio do dito moinho — mós, engrenagens, etc. para o novo, que mandara construir no Chão Frio. Ali trabalhou algumas décadas para seus fregueses da vizinhança. Após a morte do velho moleiro, e não havendo familiares interessados em continuá-lo, o moinho ficou desde logo sujeito ao vandalismo e aos rigores do tempo.


O moinho de Joaquim Soares, natural da Raposeira (Alcanena), foi mandado construir a par do de Manuel Foito, trabalhando muito anos ao desafio. Um dia, por qualquer motivo, resolve vendê-lo a Joaquim Germano, que logo transfere as peças mais essenciais para o novo da Charneca, no intuito de falar com Joaquim Soares para com ele trabalhar, o que veio a acontecer. Lá trabalhou alguns anos, já com certa idade... A dada altura lá porque o trabalho escasseasse ou não se sabe por que "carga de água", pensa despedi-lo e arranjar este pretexto:

Ó Ti Soares, ando cá a pensar numa coisa e... tem-me custado dizer-lhe!

Há alguma novidade, senhor Joaquim?!

Não. Não há. Olhe.. .eu acho que você anda a... ganhar muito!

esperando uma certa reacção do seu assalariado! Responde prontamente o ti Soares, fingindo uma certa compreensão e acordo:

O senhor Joaquim.. .também já há muito que ando a pensar nisso, realmente eu ando a ganhar demais... faz o senhor muito bem! Cá com a gente não há novidade...Hei-de continuar a servi-lo na mesma!

E o velho e manhoso moleiro continuou a sua tarefa, até resolver deixar de trabalhar. Este moinho é de todos o mais moderno e com dois andares.


O moinho de José Dias, natural do lugar de Casais Robustos, desta freguesia, foi comprado por seu pai João Dias, a um sujeito de Moinho da Fonte (Zibreira). José Dias, assim como seus dois irmãos, lá trabalharam cm novos juntamente com seu pai. Por herança, veio a calhar a José e durante muitos anos moeu farinha, para seus fregueses das redondezas. Este moinho visto e apreciado do Cabeço de Santa Marta, apresentava um aspecto imponente e altivo, na sua melancólica canção, sempre mais intensa quando o vento soprava de norte.


O moinho de Francisco Gonçalves, foi herdado de seu pai, conhecido por "Abadio", por ser natural da Abadia (Alcobaça). Viria a ser de seu filho Francisco Gonçalves. Durante anos e anos se avistava em pleno funcionamento e às vezes, até se ouvia aqui em Moitas Venda


O seu gemido, que facilmente se esvaía na vastidão das serranias!... E o que aconteceu a este moinho, foi exactamente o que tem acontecido a todos. Quase todos longe dos povoados e dos seus novos donos, pouco tempo viriam a resistir à acção destruidora dos tempos!... No tempo em que estes moinhos se mantinham em pleno funcionamento, era vulgar ouvir-se, aqui em Moitas Venda, na boca do povo, uma velhíssima cantiga, lastimando o rapto da filha de um moleiro, que com ele vivia e o ajudava nos trabalhos do moinho. Temendo que esta venha a desaparecer da mente dos povos que a sabem, pensei que seria bom inclui-la no texto (ainda se sabe a música). Era assim:

 Naquele moinho altaneiro		
 Vivia o pobre moleiro		
 Com sua filha adorada		
 Oue prazer ele não sentia		
 Quando a filha sorria		
 Lindamente enfarinhada.	
 
 Um dia subiu à serra
 Alguém que havia na terra
 Para assim conquistados
 Ai agora a lastimeira
 Roubou a linda moleira
 Ao santo paterno amos
 
 Pobre moinho agora
 Chora e geme a toda a hora
 Por ver ausente a donzela
 Seu pai que era já velhinho
 Fazer companhia ao moinho
 E chora também por ela.

(texto adaptado)

Grutas de Santa Marta

As grutas de Santa Marta são de pequena dimensão, situadas junto à casa do senhor Manuel Calado, em Moitas Venda. São de domínio privado, mas o seu dono deixava visitá-las quando o solicitavam. Este local aprazível, onde a natureza, enquanto escultora da pedra, construiu algumas das sua formas, reúne um conjunto monumental de estalactites e estalagmites (colunas que nascem a partir dos tectos ou do chão). Um fio de água a pingar leva cem anos a formar um centímetro de estalactite. E este processo fascinante que pode observar-se em qualquer das espectaculares formações calcárias existentes nas grutas de Santa Marta.

Era sempre o passeio favorito das crianças da nossa terra, que completavam a antiga quarta classe. Após o exame de admissão, se ficavam bem, e depois de presenteados pelos pais (quase sempre um relógio de pulso ), recebiam algum dinheiro para ir beber um sumo, com as suas colegas, à taberna do senhor Manuel Calado e visitar as grutas. Era uma tarde de muita alegria e convívio para as nossas crianças. Mais tarde, o seu dono fez um bar subterrâneo, nas grutas, onde tinha sempre bebidas frescas para consumo na sua taberna. Ficam na memória destas crianças as grutas de Santa Marta.

Estrada Nacional n.°243 - Nos anos 40

Quando a Estrada Nacional N°.243, ou seja, esta que aqui passa na nossa terra foi feita, as pessoas que nela trabalhavam vinham deslocadas de alguns pontos do país bem distantes daqui. Assim aconteceu com João Gomes, trabalhador da mesma, aqui ficou radicado fazendo o resto da vida com sua esposa Hermínia da Silva. Aqui criaram e educaram os seus três filhos. A tia Hermínia da Estrada, assim ficou conhecida por ter vindo a acompanhar o marido nestas andanças.


Era natural de Abeleira, freguesia de Lourvão, concelho de Penacova, distrito de Coimbra. Ocuparam uma casa, a da tia Libânia, nos primeiros tempos, tendo mais tarde construído casa própria. Ainda Moitas de Baixo foi lugar definitivo para a sua irmã Maria José da Silva, conhecida pela tia Murta. Igualmente, esta com seu marido João Murta aqui ficaram, criaram e educaram os filhos. Vinham também nas obras da estrada. As duas irmãs depressa se popularizaram, mostrando-se sempre interessadas por tudo o que ocorria na população, eram muito comunicativas e conviveram sempre com todos em bom ambiente.

Moitas Venda, até aos nossos dias tem acolhido diversas famílias que aqui se conservam e bem assim todos nos estimamos uns aos outros.

A medida do Caixão

O senhor Manuel Carrapicho, carpinteiro de profissão, era um homem muito habilidoso na sua arte, pelo que o procuravam para fazer os caixões dos que iam morrendo.

Um dia, na nossa comunidade, faleceu o senhor João dos Reis, homem alto, robusto e com um peito muito alto. O senhor Manuel, que estava a fazer o caixão do defunto, esqueceu-se de lhe tirara as medidas. Andavam por perto da sua oficina alguns rapazes novos e ele, ao olhar para um deles, pareceu-lhe que teria a medida exacta. Chamou-o e disse-lhe:

"O Manei deita-te aqui dentro deste caixão para eu ensaiar".

E assim foi. O rapaz deitou-se lá dentro, servindo assim de medida para a feitura do caixão de seu avô.

Também se Podia Morrer Contando Uma História

A história foi passada ao cair do sol-posto, já lusco-fusco. Como os meus filhos eram muito irrequietos à hora das refeições, adoptei o hábito de contar histórias sempre que lhes dava de comer. Foi então, num dia em Agosto, com a família toda reunida à volta da mesa, que me lembrei da história da "morte depenada". E lá ia contando a história ao mesmo tempo que lhes dava as colheradas à boca.


Era um casal de velhos solitários que, no seu diálogo diário, a mulher acrescentava sempre uma frase já saturante para o seu marido, pois que a considerava muito piegas e sabendo que existia hipocrisia da parte dela. Um dia decidiu por temo à chatice da mulher, a qual todos os dias lhe dizia:

«Ah homem, a gente havia de morrer já somos tão velhos, não temos ninguém e já cá não andamos a fazer nada...».

Sabendo que aquilo era só garganta, quis pregar-lhe uma lição. Combinou então com um vizinho em depenar um frango e, à noite, bastante tarde, atirar com ele pelo postigo da casa de fora. Combinado isto, o velhote disse à mulher:

«Andas sempre a dizer que queres morrer, então prepara-te que a morte vem hoje, ficas aqui sentada na sala à espera dela. Eu, como não quero morrer ainda, vou-me esconder debaixo da albarda do nosso burro.»

A mulher, coitada, não teve voz activa para contrariar o marido, visto que todos os dias falava naquele assunto, e deixou-se ficar. Estava eu a contar naquela fase em que a morte vinha a entrar, quando, de repente, se solta um paspalhão para o centro da cozinha. O paspalhão era tal como um mafarrico vestido de encarnado com umas gafanas na cara e pés e mãos disfarçadas. Ao vermos aquilo à nossa frente, ficámos estupefactos e mudámos de cor - ficamos brancos! — Mas eu, num reflexo, ainda pensei: é Carnaval...!!!... Mas não era, porque estávamos em Agosto! Não sabíamos o que pensar; o paspalhão, ao ver-nos assim, desmascarou-se logo e disse:

"Não tenham medo que sou eu!"

Era Maria Dulce , que, sendo uma mocinha nova, amiga de brincar (como é natural da idade), se lembrou de ir aos trapos velhos do tio Manuel e empavonar-se com eles, o que várias vezes acontecia. Calhou por sorte naquele dia encontrar capas de feltro encarnado acabadas de chegar na véspera, pertencentes à capela, que por se encontrarem muito velhas e traçadas, ali foram trazidas e vendidas ao Manuel Sacramento pela menina Eulália, que era empregada doméstica do padre Ernesto. As gafanas tinham sido oferecidas pela tia Lucinda, eram brindes que vinham nas caixas do Juá. Bem disfarçada desde os pés à cabeça, lá foi ela escadas acima pregar um susto à tia Natália, que dizia que não tinha medo de nada. Uma coincidência com a história da morte que, naquele momento estava a ser contada. Entrou a Dulce, ao mesmo tempo que o frango pelo postigo da velha.

Os Velórios

Os velórios eram feitos com o profundo sentimento nas próprias casas: nos quartos ou noutras divisões maiores; observava-se também a vontade da pessoa defunta que em vida tivesse dito onde queria ser amortalhada. Punha- se à cabeceira um lençol branco pendurado na parede, em cima de uma mesa ou cómoda, fazia-se um altar com uma toalha própria e que era pertença de qualquer família já destinada para o assunto.


Quase todas as donas de casa estavam prevenidas com toalhas, castiçais, lamparinas de azeite e crucifixo que era indispensável. Parava-se o relógio da parede e eram retirados alguns objectos decorativos de maior relevo.Partilhando a mágoa assim se mantinham as pessoas cm silêncio e oração.Recorde-se uma frase popular (e pouco bem conseguida) que saía espontaneamente:

"Já pagou e a gente deve".

O Toque do Sino do José Capaz

É interessante desvendar o mito que na década de cinquenta foi criada à volta do sino que o senhor José Capaz comprou para colocar na torre da igreja paroquial. Este senhor tinha uma abastada casa agrícola, contudo foi sempre amigo da terra onde nasceu, ajudando ao seu progresso. Daí ter dado o terreno para a construção da igreja paroquial. Comprou também o sino para a torre. Entretanto, o padre escudeiro, que era o pároco e tinha a seu encargo as obras da igreja, decidiu inaugurá-la antes de acabar os campanários. Foi então que surgiram sérias divergências entre eles. O José Capaz não daria o sino sem a torre estar pronta.


Alguns familiares uniram-se ao seu capricho e não quiseram dar o sino. Manteve-se por alguns anos esta situação e acabou por morrer sem o assunto estar resolvido. Algum tempo depois, foi altura de fazer as partilhas entre os herdeiros. Vindas as irmãs de Dona Aida, sua esposa, lá de Vila Real de Trás-os-Montes, assentaram residência em casa de José Capaz, durante mais de três meses, a fim de regularizar as referidas partilhas. Vendo elas o sino lá em casa e sabendo da sua história, tiveram uma sábia e astuta inspiração para arrumar aquele assunto. Como fizeram? Durante vários dias mandaram a Teresa, sua empregada doméstica, que fosse tocar o sino, mas sempre a horas mortas.


O povo, ao ouvir o sino, achava aquilo muito estranho, sentindo tenebroso respeito, partindo daí a convicção que, por arte misteriosa, o sino era tocado, ficando o mito que seria a alma do seu dono que andaria a penar por não ter cumprido a dádiva para com a igreja paroquial. Ao tomarem conhecimento destes rumores, os seus familiares decidiram de imediato dar o sino para a igreja. A curva da rua tornou-se um sítio de respeitoso medo, pelo que, a partir da meia-noite, as pessoas privavam-se de lá passar.

Os Domicílios Nocturnos

Os Domicílios Nocturnos o Dr. José Vasques Tenreiro e do Dr. Carlos Nunes Ferreira

O trabalho prestado junto dos doentes no seu domicílio era sempre no período nocturno. Foi vida difícil, a destes senhores de clínica geral, que nunca se pouparam a esforços para atender as povoações do nosso concelho e não só; jamais se apaga a memória pelo empenho com que serviram a comunidade, atendendo às necessidades dos seus doentes.


Qualquer agregado familiar pagava a sua quota ao médico, a que se chamava também partido do médico. Era cobrado pelas portas por uma pessoa competente, podia ser anual ou semestral. O senhor João Arsénio Ribeiro teve algum tempo o encargo de fazer esta cobrança. Quando era preciso chamava-se o médico; mas só de noite ele aparecia, depois de terminadas as consultas no seu consultório. Sujeitavam-se a peripécias de vária ordem. Um dia, o Dr. Carlos Nunes Ferreira veio a casa de um doente. Quando acabou de o consultar precisou de uma cadeira para se sentar e passar a receita.


Como não havia cadeiras numa casa bastante pobre como era aquela, olhou para o lado e viu uma arca com uma cortina muito bem esticada. Resolveu sentar-se em cima da arca, mas de imediato caiu lá dentro, ficando com os pés para o ar a espernear. A arca não tinha tampa de madeira por já ser velha. Era ali que se guardava qualquer coisa; roupa, comida ou outros utensílios. Foi chamado um dia para vir a uma outra família visitar outro doente. Era uma noite de muito vento, o qual se metia pelas gretas da porta fazendo um sopro muito agudo. Toda a família estava lá dentro, alguns dormindo e já esquecidos que tinham chamado o médio. Este, ao chegar lá, batia, batia, mas ninguém aparecia, a voz do médico em conjunto com o vento fazia um som que era assim:

"Tô.. .To.. .Tô.. .Tô... era ele a dizer que estava ali o Dr., mas confundido com o barulho do vento continuavam sempre percebendo o mesmo TÔ...TÔ...TÔ...TÔ..."

Ao ouvirem aquilo tanta vez, ficaram assustados, pensando que eram os ladrões. O chefe da casa resolveu pegar numa forquilha antes de abrir a porta; ao abri-la, deparou com o médico e só então se lembraram que o tinham chamado. O doutor, recebido à forquilhada, pôde então avaliar que o grau de doença não era tão grave assim!... Associava-se à vida difícil uma acentuada falta de cultura.


Assim, um certo dia, um jovem estando com uma cólica renal, estava acompanhado de uma familiar. Ao ser consultado pelo médico, este passou uma receita de supositórios, dizendo que eram para pôr no ânus, ao que a pessoa acompanhante do jovem respondia:

"vinte e um, Sr.Doutor"

o médico continuou dizendo:

"é para pôr no ânus!..."

e ela continuava:

"Vinte e um, Sr. Doutor"

referindo-se à idade do jovem, e pensando que o médico perguntava a sua idade, continuou ainda várias vezes,

"vinte e um, Sr.Doutor".

Impensáveis peripécias, que, contudo, guardamos com carinho.

A Furgoneta do Joaquim Jorge

A furgoneta do Joaquim Jorge tinha a matrícula AB-25-98. Fazia todo o tipo de transportes, desde os trabalhos de campo, aos negócios, viagens de passeio, festas, etc. Tudo ia naquela carroçaria, sofrendo as irregularidades do tempo - vento, chuva, frio, tudo o que podia acontecer. E sempre deu jeito, antes de ele ter mais dois carros, um deles de praça. Assim transportava os convidados dos noivos que iam casar a Alcanena.


Todos de pé, bem juntinhos, assim viajando e nunca houve qualquer acidente. Já cansada de andar em todo o serviço e a precisar de reparações, a furgoneta chegou a ir em andamento com as portas seguras pelas mãos dos ocupantes, porque as portas não se seguravam fechadas.

A Ti Florinda

A Ti Florinda viveu em Moitas de Baixo. Num dia em que precisava de ir a Torres Novas], para lhe ficar mais barato, decidiu pedir boleia ao senhor Joaquim Baptista. Este, com pouca vontade de a levar naquele dia, talvez porque não lhe desse jeito ou por qualquer motivo da sua vida, logo lhe disse que não a podia levar porque tinha de passar por Alcanena.. .ao que ela respondeu:

"Não faz mal, eu não me importo de lá passar também".

O homem, vendo aquela atitude, resolve inventar outra desculpa, e disse:

"Olhe que eu vou passar na Gouxaria para falar com uma pessoa"

e ela retorquiu:

"Não faz mal, os dias são grandes e eu vou também!".

O homem, já embaraçado, sem ser capaz de se livrar dela, voltou a improvisar mais uma mentira ou desculpa:

"Sabe? Eu também vou a fazer conta de parar na Videla e demorar-me um pouco na minha propriedade!...".

Ela de novo respondeu sem de nada se ralar:

"Muito bem me calha, Sr. Joaquim que eu nunca fui à sua Videla!..."

E lá se montou ela no carro do Joaquim Baptista até Torres Novas, percorrendo todo o itinerário que ele tinha inventado para lhe servir de desculpa.

As Filhos da Avó do Carmos

De temperamento irrequieto e matreiro, Joaquim Caetano fazia muitas macaquices, fruto da sua imaginação. Aos serões, contava as suas histórias. Começava por contar as muitas necessidades sentidas quer no alimento, quer no vestuário, chegando a andar descalço. Nunca havia guloseimas, a não ser pela Páscoa ou Natal. Assim, numa noite de consoada decidiu comer alguns filhos antes que fossem distribuídos pela mãe. Era ela a cozinheira dedicada que fazia os fritos naquela lareira cuja chaminé só chegava ao telhado de tenha "vã".


Foi então que Joaquim se lembrou de outro "engenho" que viria a resultar em cheio. Combinou com o irmão Caetano atar um arame comprido a um pauzito para fazer um gancho. Treparam os dois para cima do telhado e controlaram os movimentos da mãe. Quando ela se distraía ou se afastava, lá vinham os filhos um a um, puxados pelo gancho. A pobre mulher sentia que qualquer coisa de estranho se passava com o sumiço dos filhos e, tão ligeira era a sua arte que nunca conseguiu desvendar o mistério.

O Enterro do Entrudo

Depois das brincadeiras de carnaval, e no primeiro dia da Quaresma - quarta-feira de cinzas - fazia-se o enterro do entrudo. Os jovens reuniam-se e construíam um palhaço com materiais toscos, vestiam-no com sapatos, chapéus e roupas velhas, de modo a ficar de facto um palhaço de grandes dimensões.

Logo de véspera tudo ficava pronto. O palhaço iria percorrer em cortejo lastimoso as ruas. Todos gritavam, fazendo o pranto ao condenado. E o entrudo lá ia em cima de uma carroça acompanhado de guizos, chocalhos, apitos, lamúrias, enfim, tudo o que desse à festa o som das carpideiras.

Escolhia-se o lugar para a queima, de modo que pudesse também abranger o público que iria assistir à leitura do testamento. Neste testamento iriam ser referidos os vários acontecimentos ao longo do ano, de modo a ridicularizar situações e pessoas.

Por vezes provocava riso, mas aqueles a quem eram atribuídas directamente piadas bem grosseiras, ficavam decerto melindrados, mas de boca calada para não desencadear outras formas de conflito.

Serração da Velha

No tempo em que a iluminação ainda se fazia por meio de uma candeia de azeite ou então com um candeeiro a petróleo, havia quem se arriscasse a sair à rua para mergulhar na imensa escuridão da noite para se divertir. Eram estes audazes que davam corpo e alma a este antigo costume, cujo início se perde na memória do tempo. Segundo se pensa, a finalidade deste costume, de cariz cristão, era de denunciar os excessos e as más acções praticadas pelo povo. O uso do serrote a cortar algo foi a maneira que o povo utilizou para reforçar essa denúncia. Com o decorrer dos tempos, este costume passou a ser um motivo de galhofa e paródia, desviando- se aos poucos do lado sério que o caracterizava desde o seu início. Era o que acontecia, em tempos mais recentes, no meio da quaresma, para quebrar o longo período de jejum e abstinência adquirido do costume cristão.


Os mais dados a estas brincadeiras, normalmente rapazes solteiros e no clímax da sua juventude, juntavam-se em sítio previamente combinado, envergando mantas de trapos ou castelhanas às costas. Junto o grupo, começava a farra, que durava muitas vezes até de madrugada. Percorriam as ruas da terra, faziam o máximo barulho possível, usando, na maioria das vezes, campainhas, chocalhos e tudo o que pudesse fazer barulho. No meio desta algazarra, batiam às portas. A grande maioria das pessoas abria a porta e trazia aos rapazes copos de aguardente, nozes, figos secos, chouriços e queijos, etc.


Esta pequena pausa no sono servia também para dois pequenos dedos de conversa e gargalhadas, pois os rapazes ainda tinham que ir correr o resto da freguesia e o outro dia era de árduo trabalho no campo ou numa pequena fabriqueta para esta humilde gente. Quando alguém não estava na disposição de abrir a porta, os rapazes começavam a fingir cortar a porta da casa, usando para o efeito um serrote a cortar um bocado de cortiça (um serrote cortando um bocado de cortiça seca produz um barulho bastante desagradável) ou usando uma tenaz a roçar na porta. O barulho tornava-se tão insuportável que as pessoas acabavam por atendê-los para depois voltarem para a acama.


Findo o percurso, juntavam-se todos para contabilizar o que tinham apurado. Como a época era de jejum, guardavam o apetecido farnel para depois se voltarem a reunir no sábado de aleluia. Para então levarem a efeito uma grande patuscada. Quando ocorrem estas farras passam-se peripécias que ficam gravadas na memória do povo. Salientarei duas que se destacam das demais. A primeira passou-se com sr. Manuel Ferreira, este moitense não gostava que lá fossem "serrar a velha". Naquele ano, os seus filhos também participavam na paródia, pois, como dormiam numa casita separada dos pais, eles escaparam-se sem estes saberem.


Chegados à porta de Manuel Ferreira começaram a fazer muito barulho, mas este, como de costume, não queria abrir a porta. Começaram então os próprios filhos a "serrar" a porta da casa. Entretanto ouve-se uma voz vinda de dentro da casa: -Vai serrar os cornos do pai! E fácil imaginar a rápida reacção dos que permaneciam no exterior... A outra peripécia passou-se com um moitense que tinha por alcunha de "Ti Senhor".


Os rapazes sabiam que ele colaborava sempre "dando peixe", pensando pregar uma pequena partida aos que andavam na galhofa. Certa vez, escondeu-se por detrás da porta com uma foice roçadoira. Os rapazes já faziam conta que coisa boa não ia sair e já estavam à "coca dele". Assim que começaram a "serra a velha", ele abriu o postigo e começou a malhar neles. O Joaquim Jasevino Ferreira, que estava no Largo da Venda já com medo de apanhar, ao ver aquela cena toda disse:

"Joelhos em terra meus irmão que o "Senhor está exposto"!"

As Três Irmãs das Ladeiras

Todas eram Marias. Viviam na casa, cujas ruínas ainda podemos ver, naquele sítio bem assoalhadinho das ladeiras. Os seus trajes de blusa de folho cingida na cintura, tinha como componente a saia muito rodada e comprida até aos pés, sempre com tendência à cor escura. Eram solteiras, excepto uma que ainda casou, mas por força do destino viuvou muito nova, ficando assim dependendo de si própria.


Todas viviam da agricultura, cultivando as suas terras; mas como recurso ainda tinham um tear manual onde faziam mantas de trapos. Uma outra tinha um negócio de tecidos, que vendia pelas portas dos lugares onde se deslocava, ficando assim conhecida por "Tendeira". Senhoras bastante recatadas e respeitadoras; contudo, sempre houve sugestões atrevidas na mocidade jovem, que aproveita determinadas alturas para as suas rudes brincadeiras.


Uma noite de serração da velha, um grupo de jovens combinou ir divertir-se com as jovens senhoras. Chegando à porta delas, faziam o maior chinfrim possível. Atacadas e revoltadas com o que estava a acontecer, resolveram sair para a rua e enfrentar-se em duelo; usando as suas próprias saias como defesa, nas quais lhes envolveram e abafaram a cabeça ficando eles quase asfixiados. Foi remédio santo!...nunca mais tiveram vontade de se meter com elas.

O Enterro do Bacalhau

Por tradição, a Quaresma é tempo de jejum, fazendo-se abstinência especialmente de carne. Outra, sendo o bacalhau um produto ainda acessível, substituía a carne. Deste modo, e considerando o rigor dos hábitos religiosos, facilmente se entende o desejo que havia em mudar o tipo de alimentação.

E assim, na última noite de quaresma, logo ali às portas da Páscoa, lá iam de casa em casa, fazendo a "chinfrineira" habitual para acordar os donos e receber os respectivos petiscos. De onde em onde, deixavam um enorme calhau, á porta de quem os não atendia, comentando:

"Toma lá este bacalhau!"

A Taberna do "Ti Artur"

Num dos lugares muito antigos desta aldeia de Moitas Venda, facilmente se pode encontrar a morada de grossas ombreiras, a taberna do ti Artur. Aqui e nesta rua aconteceram coisas muito curiosas e interessantes: bailes, marchas carnavalescas e, pelos santos populares, ramadas, ensaios de orquestra, queima do palhaço, enfim toda a espécie de paródias, cujos frequentadores se divertiam muito.


Nesta taberna, onde os amigos passavam serões em amena cavaqueira e divertidas petiscadas, ficaram alguns episódios engraçados que muitos recordam. Aqui esteve sedeado o Clube Desportivo Santa Marta (Clube URDMV), ponto de encontro para se falar e ouvir os relatos de futebol através da rádio, onde se organizaram muitos jogos de futebol e onde houve grandes bailaricos.

Teatrinhos

António dos Santos Guita é um das referências mais antigas do nosso teatro popular. Muito inspirado e cheio de talento ensaiou algumas peças com grande sucesso. O hospital ser do doente O dispensário da criancinha E tu tens sopa para tanta gente Da mais humilde e pobrezinha. Dar uma esmola mesmo pequena Que a nossa bolsa economiza E um dever que ninguém condena Dar conforto a quem precisa.


Aníbal Chavinha foi outro amante da cultura. Para além de colaborar em representações teatrais, recorde-se uma marcha que escreveu e ensaiou para participar num cortejo de oferendas a favor do dispensário - sopa dos pobres de Alcanena:

 Ó Alcanena escuta a verdade
 Podes dizer com teu rancor 
 És rainha da caridade
 Todos te ajudam com fervor
 
 O hospital ser do doente
 O dispensário da criancinha
 E tu tens sopa para tanta gente
 Da mais humilde e pobrezihna
 
 Dar uma esmola mesmo pequena
 Que a nossa bolsa economiza
 É um dever que ninguém condena
 Dar conforto a quem precisa
 
 Podemos Dizer sem lamento
 Que esses sentimentos são sempre meus
 Corações alegres e nobres
 Quem dá aos pobres empresta a deus

Ditotes

Ditotes que nos deixaram alguns dos nossos moitenses, que trabalharam no Alentejo negociando em peles, cera, cortiça, etc.

Grupo de moitenses de outros tempos

"Para se andar no Alentejo temos de fazer três calos":

Um nas costas, outro no cú, e outro no estômago. O das costas é feito das camas no chão pelos campos ao abrigo de um chaparro; o do rabo era feito de tanto tempo que iam a cavalo nos seus animais, sendo este o transporte mais prático e barato para alguns naquela época;e o do estômago era o resultado da fome que muitas vezes passavam!... Respeitosa conclusão de épocas bastante difíceis.

Vocábulos Antigos

O vocabulário que nunca esqueceremos, pois era ouvido com frequência, assim se designava: Chamava-se boneca a uma pequena prateleira que se pendurava a um canto da parede, onde se punha o candeeiro de petróleo que dava luz para toda a casa. Assim temos mais:

 "Ir à pata" - ir a pé
 "Ir a 39" — ir a grande velocidade ou à pressa
 "A cata"- à procura
 "Bradar"- gritar
 "Para o cabo do mês"- para o fim do mês
 "Ir à botica"- ir à farmácia
 "Canalha"- gente miúda
 "Cando ao cabo e ao resto"- finalmente
 "Dantes"- antigamente
 "Os trastes"- os móveis -"Mocho"- banco de sentar
 "Arribar"- ficar melhor de saúde
 "Talego"- saco de pano que normalmente se levava à cabeça
 "Malga"- tigela grande ou saladeira
 "Copa"- roupa para tapar
 "Panta ou Bota"- coloca, pousa
 "Ná Nassenhor"- não, não senhor
 "Enregar"- começar a trabalhar
 "Vomecê"- você, vossemecê
 "A ilharga ou à banda"- ao lado
 "Por mor de ou por via dele"- por causa dele, por intermédio dele
 "Arrimar"- encostar
 "Alqueivar"- cavar, fugir
 "Coguilhete"- tigelinha pequena
 "Até mais ver"- até logo, até amanhã, ou quando calhar"

Também no modo de cumprimentar houve um vocabulário caricato para os pais, avós, padrinhos, tios, etc., como por exemplo:

 "Sabença nhamãe"
 "Sabença mê pai"
 "Sabença mê vô ou Sabença nhavó"
 "Sabença mê padrinho ou madrinha", ou mê tio (isto ao mesmo tempo que se estendia a mão, 
  -
  a qual se beijava pedindo a bênção e obtinha-se a resposta:
  -
 "Deus te faça um santinho"
 "Deus te abençoe" — (em tom mais abandalhado dizia-se "Deus tabençoia").

Crendice

Para afastar o cobranto punha-se um corno preto a arder com alguns matos: alecrim, aroeira, arruda, etc., em áma de uma telha de canudo.

Vestia-se sempre nas crianças, em especial nos bebés, uma peça de roupa às avessas. Treze pessoas à mesa davam agoiro.

As facas cruzadas em cima da mesa e as tesouras abertas originavam ralhos em casa.

Uma vela apagar-se durante a missa, na altura da consagração, era sinal de haver morte nessa semana.

Lenga-Lenga

 Pelo sinal
 Cascabial
 Comi toucinho
 E fez-me mal
 Se tivesse mais
 Mais comia 
 Adeus senhor padre
 Até outro dia

Provérbios

 Nunca lobo mata outro, Sempre assim ouvi dizer 
 Presunção e água benta... Cada qual toma o que quer! 
 Nunca esqueças o ditado  Que pode valer-te um dia 
 Vale mais recusar com graça Do que dar com grosseria... 
 Numa guerra aquele que vence Pouco ganha com a vitória 
 Pois segundo reza a história, 0 futuro a Deus pertence. 
 Um conselho te vou dar, Um conselho de valor! 
 Pensa antes de falar, Que o calado é melhor! 
 Precisas que te recorde, Um ditado bem antigo 
 Fica pois sabendo, amigo, Cão que ladra nunca morde! 
 Aproveita o que não presta e terás o que precisas. 
 Do ar à boca se perde a sopa. 
 Quem tudo quer tudo perde. 
 Casa de ferreiro espeto de pau. 
 Não há bonito sem senão nem feio sem perfeição.

Os melhores cozinhados e os mais belos bordados, à nossa mãe, pela nossa avó lhe foram ensinados.

Editor

Cmsv