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Cabeço de Santa Marta
O cabeço de Santa Marta situa-se no parque natural das Serras de Aire e Serra dos Candeeiros é uma área protegida criada em 4 de Maio de 1979 pelo decreto-Lei Nº 118/79 e tem por objectivo a protecção dos aspectos naturais assim como a defesa do património arquitectónico existente nas serras de Aire e Candeeiros; possui uma área de 38 900 hectares.
História

Era uma vez, lá para os lados de Minde, tão perto de Fátima cerca de quatro léguas, um monte em cujo cabeço houve um castro de três muralhas concêntricas onde passou, quem sabe, a civilização Lusitana. Quando o cristianismo chegou à península, esse cabeço passou a chamar-se de Santa Marta e foi lugar seguro de lendas e milagres. E dos velhos ritos profanos até hoje algo ficou do seu ritual pagão. Como, por exemplo, o Boi de Santa Marta... a santa que aparecia em «carne e alma» e desaparecia na sua imagem de terra-cota... o buraco casamenteiro dentro da capela.
Tradições populares que convém não caírem em desuso e no esquecimento, que devem sei motivo de orgulho para o povo e nunca meio para ridicularizar! É dever de todos nós recolhermos esses materiais dos usos e costumes em que Portugal é tão rico, para que os investigadores do futuro não se debatam, confusos e perdidos, como tantas vezes nos acontece.
Cabe dizer, aos curiosos destas «lendas», que Santa Marta è no topo de Moitas Venda, a meio caminho entre Fátima e a Ladeira do Pinheiro. Estão longe de Torres Novas e Tomar. Ou seja, parte integrante do que se convencionou chamar o Triângulo Místico Português.

Da santa sabe-se que aparecia, numa gruta. A tradição orai foi perdendo entusiasmo, o temor do ridículo não é de mais frisá-lo, esvaiu a mentiria dos contadores de histórias Todavia, o que ficou dá para contar e conservou o seu quê de misterioso e sobrenatural. Mas tudo começa com o Boi ou se preferirem, com o culto ancestral à deusa da fertilidade.
Era uma vez uma senhora que tinha por lugar um monte e todos a veneravam pelo menos, uma vez por ano. Romeiros e oferendas subiam as escarpas daquele cabeço na Serra dos Candeeiros onde a rocha mal deixa verdejar o mato. Não esqueciam o óbulo e os alimentos para o inverno do eremita, de família numerosa, que. entre outras coisas, era responsável pelo cuidar do local onde se invocavam os favores da mãe. O eremita vivia muito modestamente, passando privações e frio albergando-se num casebre feito de lascas de pedra assentes em massa, coberto de vegetação seca e outros materiais que podia obter.
Nada de novo. até aqui, pois há registos. por toda a Europa, de cultos à deusa da fertilidade desde vénus de Wollendorf (Áustria) à de Laussel (França), sem focar a mitologia clássica.
Guerra no povoado

Antes de prosseguirmos na descrição histórica, foquemos um caso insólito, que muito deu que falar, a nível nacional. na última metade do século passado. Como o culto crescia e a lenda falava em aparições numa gruta na vertente por baixo da casa do Bodo (de que falaremos adiante), os habitantes da região decidiram edificar uma capela a Santa Marta A dúvida era se o templo se ergueria cá em baixo, junto á Fonte da Santa, se no cabeço onde vivia o eremita. Discussões houve e o povo de Moitas Venda dividido em duas facções irredutíveis.
O de baixo mais rápido a executar e na tentativa de vencer, meteu mãos à obra, lançou caboucos o chegou mesmo a misturar massa de barro e cal onde um dia ficou marcado o calcanhar da santa.
O «de cima" não desistia. E por forte argumento, tinha que Santa Marta aparecer a alguns na gruta (uma gruta ampla e de duas naves), em carne e alma.
Enquanto o diferendo crescia a imagem ria santa, em terra-cota foi trazida.

A capelinha branca, do século passado, vendo-se do lado esquerdo a porta da cisterna (frente ao alguidar verde) e à direita uma viçosa laranjeira. Ainda à direita é a casa do eremita, por detrás da qual jazem as ruínas do templo Paleocristão Visigótico, se ergueu no cabeço uma capela abobadada, com telha de cana, cujas ruínas ainda hoje se conservam apesar da indiferença das autoridades estatais do Património! Imagem bela. valiosa, hoje guardada na igreja da freguesia, vestida com roupagens para disfarçar os estragos do tempo. Imagem fantástica, também, pois de baixo subia inexplicavelmente para cima, alojando-se no cimo de uma rocha dentro da gruta onde Santa Marta aparecia em carne o alma e era assim:
Os homens iam buscá-la à lapa e no dia seguinte, a imagem já ia não estava e como nestas coisas quem pode é quem manda, até os mais renitentes encolheram os ombros, rendendo-se à evidência. A obra nasceu e cresceu la em cima. Santa Marta foi posta no altar e a gruta caiu no esquecimento, servindo de abrigo às raposas no Inverno ou de morada a respeitáveis aranhões.
O Pastor da Besta

De construção modesta, a ermida de Santa Marta foi edificada no final da Idade Média, em 1613, numa encosta do Cabeço de Santa Marta, tendo sofrido intervenções de restauro em 1879. O interior é simples, sendo de referir o arco triunfal descoberto, revestido com azulejos setecentistas. Foi, até meados do século passado, um importante local de romaria, especialmente na Quinta Feira da Ascensão, feriado municipal.
Ali ao lado da vetusta ermida de Santa Marta, em ruínas ficou a bela e simples capelinha branca rio século passado, caiada e cuidada com esmero pelos últimos eremitas que já nem o são. no sentido lato que a palavra tinha. António e Mana Júlia, pais de seis filhos que escolheram destinos mais ao modo dos nossos dias. A nave principal do templo foi no seu lado esquerdo, talhada da rocha vendo-se do mesmo lado. um magnifico e valioso painel de azulejos mostrando a santa pisando o dragão que personifica o mal. Na nave central, onde se vê a Ara e o grande nicho com a (nova) imagem da santa, a parede é forrada de azulejos também do século XVIII e do lado esquerdo, no meio da parede, existe um buraco rectangular que dá para um vão da rocha original que se diz casamenteira.
Conta a lenda que rapaz ou rapariga solteiros, em desejando casar, basta que lhe metam a cabeça dentro é quase à medida para logo arranjar noivado seguro e do género; casaram, foram muito felizes e tiveram muitos meninos.
Santa Marta ainda hoje é a padroeira do local. Todos os anos. em Maio. no dia da Quinta Feira da Ascensão, homens e mulheres demandam o cabeço para um grande dia de romagem, onde a missa e a bênção das vinhas e searas constituem cena principal. Depois, e a festa com bons farneis e abrindo-se com boas virtualhas e o vinho correndo em conta e medida.
Isto leva-nos mais longe, a uma tradição que se terá perdido principio do século, deturpação simplificante de uma outra, mais antiga ainda a do Boi de Santa Marta.
Antigamente como já dissemos terá sido uma daí formas de culto à deusa da fertilidade e mais tarde, tão longe quanto a tradição nos conta, o eremita cuidava de um boi jovem que na altura precisa do ano. tinha por espinhosa missão cobrir todas as vacas das redondezas.
Era, pois, um Boi sagrado e intocável, vivendo selvagem mas sob vigilância do seu ««pastor», que em última instância garantia a forragem e os cuidados ou seguranças contra as agruras dos elementos... para que a besta pudesse cumprir com preceito e qualidade o seu dever de reprodutor. Aliás, também aqui a história se repete, pois vacas sagradas não as havia só na Índia, nem bois ápis no Egipto.
Remonta aos cultos primitivos [httpa://pt.wikipedia.org/wiki/Europeus europeus], nem sempre com aspectos de sacrifício de sangue, mas antes de vida e, por isso, ligado à fertilidade.
Pior que o Boi


Ao certo, tirando alguns textos publicados no jornal de Moitas Venda (O Moitense) assinados pelo arqueólogo e autodidata Manuel Ferreira Jorge, (homem que vale a pena ouvir), pouco se sabe e nada se escreveu. Do que ficou na memória exacta do povo.
Diz-se que até ao princípio deste século cabia ao eremita, cotizadas as gentes, «comprar um bezerro já grande, com tempo suficiente para a engorda, de modo a que, Maio chegado, pudesse ser morto à vontade, pois as carnes, assadas no espeto à antiga, tem que dar e sobrar abundantemente repartidas, para alimento dos peregrinos a Santa Marta no dia da Quinta Feira da Ascensão.
Havia missa cantada, procissão e bênção dos campos e a festa era grande e de rico folclore. Estes, por seu turno, traziam oferendas para a santa e pagavam promessas e não esqueciam o eremita e família, a quem deixavam a bilha de azeite e os enchidos, a farinha ou os cereais, o porco salgado... o que cada um podia dar consoante as suas posses, além do óbulo destinado ao sustento do guardião do Boi e muitas vezes, já à compra do presunto bezerro. A Santa Marta deixavam azeite para a candeia, a esmola e o que mais entendessem, por promessa ou devoção.
Os penúltimos eremitas. Maria de Santa Marta e Francisco Serrador (apelido de profissão) ainda criaram" o bezerro na chamada casa do Bodo; velha construção de pedia misto de curro e casa de arrecades e local onde se assava o Boi. Ainda hoje existe, minimamente conservada, servindo para todos os seus fins à excepção do principal que é a recolha e criação do animal sagrado.
Hoje, em jeito de piada, os oriundos de Santa Marta que migraram para as cidades, nomeadamente os mais cultos alguns doutores, lembram-se de ouvir contar seus avós. nos serões de duro inverno, à lareira de fim-de-semana, que quando um moço era mais afoito, tinha problemas, ou dava que falar pelas suas conquistas no amor... que era uso dizer-se:
"Caramba! És pior que o Boi de Santa Marta..."
Atracção
A atracção a destacar, na freguesia de Moitas Venda, é o miradouro natural do Cabeço de Santa Marta, de onde se pode admirar a belíssima paisagem das lezírias do Tejo.
Este aprazível local é servido por um parque de merendas, à disposição do visitante através da estrada do cabeço de santa marta. Moitas Venda oferece aqui um magnífico panorama. Estendem-se os olhos na paisagem e adivinha-se o Tejo num horizonte de encanto.
Festividades
Uma das festividades de que decorre anualmente no cabeço de Santa Marta é a Quinta Feira da Ascensão.
Outras Fotos


Recolha de artigo
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Links
- Mais fotos do antigo santuário de Santa Marta no fórum da comunidade.
- Serra dos Candeeiros (wikipédia)
- Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (wikipédia)
- Fotos da limpeza do serrado e velho carreiro para Cabeço de Santa Marta no fórum da comunidade