Para informação sobre a rede wireless; visite https://wirelesspt.net/wiki
António dos Santos
António dos Santos (1815 - 1896)

"O Doutor António dos Santos", médico pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto, Cavalheiro da Ordem de S.Tiago "nasceu a 13 de Abril de 1815 no lugar das Moitas de Cima, da freguesia de Alcanena, no concelho de Torres Novas, filho de António dos Santos e de Maria do Rosário".
E este o registo do seu nascimento. E a casa onde nasceu existe ainda nas suas características de antiga casa de gente abastada na rua das flores, em Moitas Venda.
Seus pais eram agricultores e António, ainda criança, guardava o rebanho de cabras, pelas encostas das redondezas. Havia nesse tempo um colégio religioso dirigido por dois frades lá para os lados da Serra de Santo António. E, curioso, conseguiu um livro que foi decifrando sozinho, aprendendo a ler enquanto guardava o gado. De vez em quando fugia, ia bater à porta do colégio, abandonando o rebanho, o que lhe valia depois, em casa, rigorosos e repetidos castigos. Conseguiu, no entanto, que os frades intercedessem e os pais consentiram em confiar-lhe a criança.
Passado o devido tempo, foi para o convento de S.Pedro de Alcântara, em Lisboa, para fazer noviciado, mas com a extinção das ordens religiosas por decreto de Joaquim António de Aguiar, ficou desamparado pela cidade. Foi então trabalhar para um navio ancorado no Tejo e pouco depois vendia água e fazia recados. Assim encontrou o administrador de farmácia do Hospital de S.José, que o recolheu como criado em sua casa e daí o levou para moço de botica do hospital.
Com cerca de 20 anos, muita vontade e determinação, foi sempre lendo e estudando na ânsia do saber. Sofreu revezes, invejas dos seus colegas, mas, sempre lutador, prosseguiu o seu caminho.
Com a morte do seu pai voltou à terra natal. Com a herança, comprou roupas e presentes, pois só deste modo conseguiria entrar na escola que pretendia frequentar para ser médico. Só os ricos tinham acesso. E António iludiu os ilustres mestres fazendo-se passar por rico.
Voltou ao trabalho na farmácia do hospital e prosseguiu os seus estudos na escola médica onde se matriculou em 1841 e onde concluiu o seu curso em 1846.
Foi um médico distinto, cirurgião brilhante com uma habilidade manual surpreendente. Foi o primeiro médico que, trabalhando em Santarém, aplicou a anestesia. Inventou alguns instrumentos cirúrgicos e construiu outros na sua oficina onde se refugiava nas horas livres que a clínica lhe deixava. Seus filhos, Luís e Augusto, foram artistas relojoeiros por influencia da habilidade manual de seu pai.
Mas não só como médico e benemérito se distinguiu o Doutor António dos Santos. Por volta de 1862 foi eleito para a Câmara Municipal de Santarém. Mais tarde, foi administrador do Concelho e conselheiro distrital.
Sob sua orientação e contra todos os preceitos arreigados nos homens poderosos do seu tempo, foi reformador implacável, vencendo pela justiça e perseverança.
Calcetou ruas e praças, estabeleceu na cidade o serviço de limpeza, regulou a apresentação da planta para novas construções.
Reformou a iluminação pública, empregando o petróleo como combustível, mas de modo a poder ser adaptado à iluminação a gás. Ele próprio inventou e mandou construir um sistema de candeeiros reguladores da quantidade de petróleo entrado e consumido.
Estabeleceu o mercado dos géneros alimentícios em regime de terrado, com bancas, balanças e lugares numerados. Organizou os serviços demográficos e o serviço do registo predial. Fez arborização dos lugares públicos. Não vacilou na realização do que entendia útil para a dignidade e bens públicos. Tomou medidas intransigentes contra o jogo e os vícios de libertinagem.
Nunca se prendeu a qualquer agrupamento de política partidária.
Na função de Delegado de Saúde durante muitos anos, os doentes acreditavam nele como num Salvador. Identificava-se com o doente. Choraram-no quantos dele receberam atenção. Faleceu a 3 de Outubro de 1896, ficando sepultado na cidade de Santarém.