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A Fé Popular
As Festas

O costume de organizar festas na nossa terra terá vindo das festas e romarias em tempos medievais. A 8 de Dezembro, realiza-se a festa em honra de Nossa Senhora da Conceição, padroeira. Tudo leva a crer que terá começado em 1798, data da inauguração da Capela no Largo da Venda. Estas festividades ter-se-ão realizado até por volta de 1910, data da implantação da República.
Então, por motivos político-religiosos foram interrompidos por cerca de vinte anos. Entretanto retomados os festejos, este dia foi também dedicado às crianças que, na procissão, conduziam o andor do Menino-Jesus.

Sendo tempo de inverno, não faltavam nunca as filhoses e o café, costume que perdura e se estende até outras ocasiões de festas e convívio.
A 2 de Fevereiro celebra-se em Casais Robustos o dia de Nossa Senhora das Candeias. E no verão os grandes festejos populares. Tempo de férias e mais descanso, esperam-se os emigrantes e estes esperam, ao longo do ano, o grande momento do reencontro.
Tudo se vai adaptando à evolução dos tempos. O cheirinho a eucalipto desvaneceu-se e deu lugar ao som desmedido de potentes colunas dentro do salão. Longe vão os tempos em que, durante semanas, se preparavam os festejos. Os
jovens reunidos recolhiam prendas, faziam rifas, iam de terra em terra, num peditório antigo. Imagina-se a alegria deste convívio, tão pouco permitido às moças noutras ocasiões! E, nas vésperas da festa, a apanha dos ramos de eucalipto, que iriam cobrir o arraial.

O cheirinho do eucalipto, o toque da banda, os foguetes pelas ruas da aldeia... A solene procissão saía depois da «missa da festa». Tinham-se preparado os andores com mil cuidados, as toalhas de altar eram brancas e bonitas, enfeitadas de rendas e bordados. Os tons dourados do pálio, os anjinhos, as fogaças, a banda e o ritmo compassado da música... As pessoas tinham fatos novos e havia colchas a enfeitar as janelas, havia solenidade e alegria. E os turistas-emigrantes apareciam com as máquinas fotográficas e depois com as de filmar, procurando pontos estratégicos para melhor imagem.

No largo junto do arraial era a quermesse, feita de madeira e varolas, coberta de eucalipto.As prendas pequenas eram numeradas e saíam nas rifas. As de mais valor iam a leilão. Não era fácil para quem fazia este trabalho, pois, não havendo microfone, precisava de gritar até ficar rouco. Após o último lance, à terceira pancada — um, dois, três, vendido! batia-se com um pau no caldeiro velho, que sempre fazia rir. Havia um palco armado de propósito. Ali tocava a banda e até companhias de Lisboa aqui trouxeram os seus espectáculos. Hoje a procissão já não tem anjinhos nem fogaças. Permanece a fé e a tradição. E o cheiro do assar dos frangos num arraial de salão não consegue ainda abafar de todo o velho cheirinho do eucalipto da nossa memória.
Os Arraiais

Este é o Largo da Igreja antes dos muros do Adro serem construídos.
A juventude e os mordomos da festa colocam os paus onde são presas as decorações do arraial.
Lá em cima, ao fundo da rua, a camioneta do Abílio da Noiva de Mira de Aire, que fazia diariamente a ligação para Lisboa. Vinha pelos lados de Alcanena; na Estrada Nacional passavam as carreiras dos Claras, de Torres Novas.
As Carvalhadas
Estas brincadeiras são jogos cuja origem se perde nos tempos. Realizavam-se no segundo ou terceiro dia das festas de verão e divertiam de verdade.
Havia corrida de sacos. As pernas dos jogadores dentro de um saco, o que obrigava a uma corrida difícil e saltitada. O jogo das panelas animava a malta que apreciava a destreza dos jogadores.
Numa corda esticada em lugar mais alto penduravam-se panelas de barro. Algumas tinham dentro um coelho ou um frango, outras tinham cinza ou água e outras ainda, não tinham nada.
Assim, de um salto era preciso partir a panela com um pau, ganhando o prémio que continha. Frango ou coelho, simplesmente ficar molhado ou sujo para provocar gargalhada geral. E com estes jogos e outros semelhantes se divertiam novos e velhos.
Orações Populares
Bendito Pequenino
Bendito pequenino
Quem tem a chave é o menino
Quem lha deu?
Quem lha daria?
Foi o filho da Virgem Maria
Já os galos cantam
Já os anjos se levantam
Já o Deus vai na cruz
Amem Jesus.
Oração a S. Silvestre
Bendito Pequenino
Eu me entrego ao S. Silvestre
A camisa que ele veste
Aos três anjinhos da guarda
As três missinhas do Natal
Para que não haja homem nem mulher
Que me possa fazer mal
Nem de noite nem de dia
Nem à hora do meio-dia
Oração a Santo S. Bento
Eu me entrego a Santo S. Bento para que me livre de todo o bicho peçonhento.