Olá Caros Moitenses.
Começo esta minha intervenção, saudando todos aqueles que no passado recente desempenharam um papel importante em prol desta terra, que todos nos devíamos orgulhar de pertencer.
Onde estás tu velho Ti Zé Jorge?
Onde estás saudoso Chavinha que adoravas fazer teatros e marchas? E o nosso
Manuel Jorge conhecido pelo nosso povo por
Manel dos serrotes ainda presente entre nós, e que tem dedicado parte da sua vida a escrever e a recolher testemunhos importantes de gerações que por aqui viveram?
E o nosso conterrâneo Zé Alberto? Depois de vir imigrado do Canadá, dedicou parte da sua vida a este Salão.
Muitos outros trocavam tempo à sua vida privada e pessoal para se dedicarem a obras desta terra. Onde estão esses homens que desbravaram com enxadas e picaretas a estrada de St Marta sem qualquer dos meios mecânicos que hoje existem?
Louros??? Mas que louros??
Os louros não se adquirem desta forma leviana. A história encarregar-se-á de valorizar aqueles que na realidade merecem ser destacados.
Muitos outros deixaram verdadeiros testemunhos de voluntariado em acções, obras que dificilmente o povo esquecerá.
Joaquim Baptista e seu irmão Manuel Baptista, que pelo facto de serem republicanos e se ter instalado um regime ditatorial, acabaram por ficar esquecidos.
Foram eles que fundaram a Freguesia de Moitas Venda e Casais Robustos. Construíram uma escola para rapazes e raparigas com moradia anexada para a respectiva professora. Construíram o poço do povo que na altura todos se serviam, etc. etc.…
Muitos mais poderiam ser mencionados e a lista seria extensa. Quem ajudou a construir a casa paroquial? E o Salão Polivalente? Quem criou o Clube Recreativo e Desportivo de Stª Marta de Moitas Venda? Bem… quem o criou, hoje certamente sentiria mágoa ao presenciar o destino a que foi dotado.
Todos eles deixaram obra sem se preocuparem com os louros. Pareceu-me ser essa a causa da disputa?
Aproveitando as obras de remodelação do telhado, achou a presente Comissão do Salão, de acordo com a Junta de Freguesia, valorizar o espaço existente como logradouro até à extrema do terreno, ou seja adicionar à cobertura mais alguns metros quadrados, mesmo ficando inacabados, para que futuramente seja projectada a substituição das instalações sanitárias, que se encontram desactualizadas e bastante degradadas. Para isso entendeu-se abrir um acesso do lado poente do Salão, para facilitar esse procedimento. É evidente, estando a contar com as verbas disponíveis que são do povo.
Infelizmente assisti a essa reunião e posso vos dizer que não resisto à imagem com que fiquei, pois é a mesma que diariamente presencio no Jardim-escola que ladeia a minha casa e que avisto da janela do meu quarto. Bem, em abono da verdade as crianças até se comportam melhor. Nunca presenciei a cenas tão néscias, que quase roçam o ridiculo.
Alguns membros das Comissões de Festas dos anos referidos a
2008, 2009 e 2010 só entregam o valor angariado ao empreiteiro da obra. Fez-me lembrar o saudoso grande comunicador Fernando Pessa. E esta, hein...
Será que fizeram o mesmo ao Padre aquando da substituição do telhado da Igreja matriz?
Como se fossem as Comissões de Festas os responsáveis pelos orçamentos e tivessem negociado a adjudicação da obra ou simplesmente trabalhassem na manutenção e limpeza das instalações.
Ninguém lhes tira o mérito do trabalho que as festas exigem, mas esse foi sempre o dever de muitos que ao longo de vários anos desempenharam o mesmo papel, alguns até repetidas vezes.
Uma Comissão de Festas deve terminar a sua responsabilidade a partir do momento em que apresente as contas e entregue o valor ás entidades a que se propôs ajudar, sem interferir ou colidir com as colectividades ou entidades premiadas. Foi sempre este o procedimento das várias Comissões de Festas que por esta terra passaram.
Por parte das Comissões de Festas supracitadas, nunca surgiu qualquer justificação para esta atitude, desacreditando neste acto, todos os elementos da Comissão do Salão, que se sentiram injuriados na sua honra e dignidade.
Por várias vezes e por vários elementos da Comissão, a questão foi levantada publicamente sobre essa falta de confiança, mas ninguém dos representantes presentes teve a coragem de assumir ou apontar qualquer argumento válido onde baseasse essa postura.
Perante este episodio, e, estando as obras a decorrer, A presente Comissão do Salão, após a reunião, concluiu elaborar um comunicado à população que aqui transcrevo.
Que haja bairrismo, que reine a paz, a amizade e respeito uns pelos outros.
VIVA ÀS MOITAS, VIVAM OS MOITENSES
